Alterações Climáticas Deixaram a Bolívia Debilitada pela Seca



Os bolivianos têm de estar preparados para o pior.

Presidente Evo Morales.

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Como muitos países, a Bolívia conta com os seus glaciares e grandes lagos para abastecimento de água durante os tempos rígidos e secos. Mas tendo a Bolívia aquecido como o resto do mundo, estas reservas de água congelada e líquida diminuíram e secaram. O aquecimento tornou o segundo maior lago do país num leito ressequido de solo endurecido. Este calor tornou o maior lago do país numa sombra da sua antiga extensão e profundidade. Forçou os glaciares da Bolívia a recuar completamente até aos cumes das suas montanhas nortenhas — reduzindo o importante glaciar Chacaltaya a nada. Vários reservatórios estão agora completamente secos. E, para centenas de milhares de pessoas, a única fonte de água potável é aquela carregada e entregue por camiões.

Emergência de Seca Declarada para a Bolívia

Depois de décadas de agravamento da seca e após um forte El Niño de 2014-2016, a Bolívia declarou o estado de emergência. 125.000 famílias estão em severo racionamento de água — recebendo abastecimentos apenas uma vez a cada três dias. A alocação de água para essas famílias é apenas o suficiente para beber. Não mais. Centenas de milhares para além deste grupo mais atingido também sofrem de alguma forma de restrição de água. Escolas foram fechadas. Negócios encerrados. 60.000 cabeças de gado pereceram. 149 milhões de dólares em danos já se acumularam. E por todo o país, protestos eclodiram.

A cidade de La Paz, que é a sede do governo da Bolívia e lar de cerca de 800.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), tem os seus três reservatórios quase completamente secos. O reservatório principal de água — Ajuan Kota — está apenas a 1 por cento da sua capacidade. Dois reservatórios menores estão a apenas 8 por cento.

Seca extrema na Bolívia devido às alterações climáticas.

Durante o ano passado, a seca na Bolívia tornou-se extrema — levando a declarações de emergência e resultando em racionamento de água. É o mais recente período seco severo de muitos a afetar o Estado ao longo das últimas décadas. O presidente Morales declarou que as alterações climáticas são a causa. E a ciência, em grande parte, concorda com ele. Fonte da imagem: The Global Drought Monitor.

Na vizinha El Alto, uma cidade de 650.000 pessoas (aproximadamente, em 2001), os moradores também estão a sofrer com a escassez de água. A falta dela lá foi causa para agitação — com funcionários das águas brevemente a ficarem reféns de cidadãos desesperados.

Com os camiões de assistência a percorrerem as ruas e os bairros de La Paz e El Alto, o governo estabeleceu um gabinete de água de emergência. Planos para a construção um sistema mais resiliente já foram elaborados. E governos e empresas estrangeiras já foram solicitadas para dar assistência. Mas o problema maior da Bolívia provém de secas que têm ficado cada vez piores devido às alterações climáticas. E não é claro que a nova infraestrutura para a gestão da água esteja preparada para uma situação em que, cada vez mais, a água é removida na sua totalidade.

Lagos Secos, Glaciares a Minguar

Ao longo dos anos, fatores cada vez piores relacionados com as alterações climáticas tornaram a Bolívia vulnerável a qualquer período seco que esteja por vir. O efeito adicional do aquecimento é que mais chuva tem que cair para compensar o aumento da taxa de evaporação resultante. Enquanto isso, o recuo glacial significa que menos água derrete e flui para rios e lagos durante estes períodos quentes e secos. No final, esta perda de água combinada cria uma situação prevalente de seca para o Estado. E quando um período seco é desencadeado por outras caraterísticas climáticas — como aconteceu com o forte El Niño que ocorreu entre 2014 e 2016, — as secas na Bolívia tornam-se consideravelmente mais intensas.

Desde o final da década de 1980, a Bolívia tem tido problemas durante períodos secos anormais relacionados com as alterações climáticas de origem humana. Com o passar do tempo, estes períodos secos têm infligido uma pressão hídrica crescente no Estado. E apesar dos numerosos esforços por parte da Bolívia, os impactos das secas têm continuado a agravar-se.

Pouca neve e gelo nas montanhas da Bolívia levam a seca

Nesta fotografia da NASA do norte da Bolívia, tirada a 6 de Novembro, 2016, vê-se uma cobertura de neve e gelo nas montanhas muito fina na parte superior ao centro, um lago Titicaca que está agora muito baixo e cheio de bancos de areia no canto superior esquerdo, e um lago Poopo completamente seco na parte central inferior. A Bolívia depende destas três fontes de água. Uma desapareceu, e as outras duas foram fortemente reduzidas. Os cientistas descobriram que o aquecimento global está a derreter os glaciares da Bolívia e aumentou as taxas de evaporação em até 200 por cento perto dos seus principais lagos. Fonte da imagem: LANCE MODIS.

Em 1994, o calor adicionado e a perda de glaciares resultou na seca do segundo maior lago do país — Poopo. O lago recuperou um pouco no final da década de 1990. Mas no início de 2016, um lago que outrora mediu 90 x 32 km nos seus pontos mais distantes, tinha novamente sido reduzido para pouco mais do que um leito rachado repleto de cascos de barcos de pesca abandonados. Os cientistas que estudam a região descobriram que a taxa de evaporação na zona do lago Poopo tinha sido aumentada em 200 por cento pelo aquecimento global.

O maior lago da Bolívia — Titicaca — também está sob ameaça. De 2003 a 2010, o lago foi relatado como tendo perdido 1300 km quadrados de área de água de superfície. Durante 2015 e 2016, a seca perto do Titicaca intensificou-se. Num ato de desespero, o governo da Bolívia alocou 500 milhões de dólares para salvar o lago. Mas, apesar desta ação, o reservatório massivo continuou a encolher. Agora, a parte sul do lago está quase completamente cortada por um banco de areia do norte.

Nas montanhas andinas que fazem fronteira com a Bolívia, as temperaturas têm vindo a aumentar em 0,6 graus Celsius a cada década. Este aquecimento colocou os glaciares do país em completa retirada. Num exemplo, o glaciar Chacaltaya, que fornecia 30 por cento do abastecimento de água de La Paz, tinha desaparecido por completo em 2009. Mas as perdas de glaciares, em geral, têm sido transversais e consideráveis — não restritas somente ao Chacaltaya.

Seca Intensa Agrava-se, Com Mais por Vir

Em dezembro, espera-se que as chuvas voltem e forneçam algum alívio à Bolívia. O El Niño enfraqueceu e 2017 não deve ser tão seco como 2015 ou 2016. No entanto, como muitas regiões do mundo, as terras altas da Bolívia encontram-se num período de seca multianual. E o fator primordial que causa estas secas não é o periódico El Niño, mas a tendência de aquecimento de longo prazo que está a derreter os glaciares da Bolívia e a aumentar as taxas de evaporação em todos os seus lagos.

No contexto, a situação de emergência de seca atual ocorre numa altura em que as temperaturas globais atingem perto de 1,2 graus Celsius mais quente do que as médias da década de 1880. A presente e futura expectada queima de combustíveis fósseis continuará a aquecer a Terra e adicionar ao agravamento do flagelo da seca em lugares como a Bolívia. Assim, esta escassez de água de emergência em particular é provável que seja apenas uma de muitas que estarão por vir. E somente um intenso esforço para reduzir as emissões de combustíveis fósseis pode abrandar substancialmente o agravamento da situação para a Bolívia e inúmeras outras regiões afetadas pela seca em todo o mundo.


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Traduzido do original
Climate Change Has Left Bolivia Crippled by Drought
, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 23 de novembro de 2016.

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