CO2 Atmosférico Aumenta a uns Extremos 409,3 Partes por Milhão a 10 de Abril – Possível Taxa Recorde de Aumento de CO2 Atmosférico para 2016

Simplificando, uma rápida acumulação atmosférica de gases de efeito estufa está rapidamente a empurrar a Terra bem para além de qualquer contexto climático a que os seres humanos estejam acostumados. A influência de um El Nino extremo sobre a capacidade do sistema do oceano global para fazer descer os níveis de uma emissão humana maciça de carbono, juntamente com sinais do que parece ser uma emissão significativamente menor mas crescente das reservas globais de carbono, parecem estar a preparar o mundo para mais um salto recorde nos níveis de CO2 atmosféricos durante 2016.

Níveis de Dióxido de Carbono - CO2 - atmosférico de 409.29 ppm

(Vê o pequeno ponto bem acima da linha de tendência azul na parte superior direita do gráfico acima? Isso não representa nenhum incidente. Representa leituras diárias de CO2 atmosférico de cerca de 409,3 partes por milhão de CO2 no Observatório Mauna Loa a 10 de Abril de 2016. É uma leitura incrivelmente alta. Mas ao longo dos próximos dois meses, poderemos ver valores diários a continuarem a atingir picos nesta faixa ou atingirem níveis ainda mais elevados. Fonte da imagem: The Keeling Curve).

Ainda nos estamos a aproximar do pico anual de final de Abril até início de Maio, e os grandes picos de CO2 já estão a começar a aparecer. No domingo, 10 de Abril, o Observatório Mauna Loa registou uma leitura diária de CO2 atingindo uns extraordinários 409,3 partes por milhão. Estas leituras seguem-se às médias mensais de Março próximas de 405 partes por milhão, e precedem um pico mensal anual em Maio que é provável que atinja mais de 407 partes por milhão, podendo chegar tão alto quanto 409 partes por milhão. Estes são níveis de cerca de 135 a 235 partes por milhão acima da variação média entre os interglaciais e as glaciações durante o período de clima relativamente estável dos últimos 2 milhões de anos.

Por outras palavras – os níveis de CO2 atmosféricos continuam a subir em intervalos sem precedentes. Níveis que são cada vez mais assustadoramente fora de contexto. Pois não temos visto registos deste gás detentor de calor atmosférico chegarem tão alto em nenhum momento durante pelo menos os últimos 15 milhões de anos [Traduzido em Português].

2016 Poderia ver um Aumento do CO2 Atmosférico de 3,1 a 5,1 Partes Por Milhão Acima de 2015

Durante um ano “normal”, se é que este período de queima imprudente de combustível fóssil pelos humanos pode ser racionalmente comparada a qualquer coisa ‘normal’, seria de esperar que os níveis de CO2 subissem cerca de 2 partes por milhão. Um tal salto no período de 2015 a 2016 resultaria em médias mensais a atingirem picos à volta de 406 partes por milhão em Maio. Contudo, com um El Niño recorde e outras influências a produzirem grandes áreas anormalmente quentes da superfície do mar, a capacidade do oceano global para absorver tanto a emissão humana maciça como o feedback global de carbono — aparentemente muito menor, mas com sinais de crescimento — tem sido dificultada.

Média anual da taxa de crescimento de CO2

(A média anual da taxa de crescimento de CO2 para 2016 deverá atingir ainda mais do que os registos vistos em 2015 devido à influência de um El Niño recorde sobre a capacidade do sistema do oceano global de absorver o excesso de carbono atmosférico e devido ao facto de que a emissão global de CO2 permaneceu perto de níveis recorde elevados atingidos em 2014. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Em 1998, durante um El Nino recorde e num momento em que as emissões globais de carbono de fontes humanas foram significativamente menores do que são hoje, e durante um período em que as reservas globais de carbono aparentavam estar na maior parte dormentes, os níveis de CO2 na atmosfera aumentaram num então recorde de 2,9 partes por milhão. Durante 2015, enquanto um El Nino recorde aumentava de intensidade e as reservas globais de carbono continuavam o seu rosnar agourento, os aumentos médios anuais atingiram um novo máximo de 3,05 partes por milhão. Mas com os impactos de um El Nino mais forte a dificultarem a absorção de carbono pelo oceano a estenderem-se até ao ano presente, parece que as taxas médias de 2016 do aumento de CO2 atmosférico serão provavelmente ainda maiores. Devido a esta, esperemos que temporária, redução na capacidade do oceano para fazer descer o carbono atmosférico, é provável vermos os níveis de CO2 de Maio de 2016 em Mauna Loa atingirem uma variação de 3,1 a 5,1 partes por milhão (407-409 ppm no total) acima dos níveis recorde elevados anteriores de cerca de 403,9 partes por milhão para o mesmo mês em 2015.

Da Última Vez que os Valores de CO2 Estiveram Tão Elevados Foi Durante o Mioceno Médio – 15 Milhões de Anos no Passado Profundo da Terra

Seja por que medida for, estas são taxas anuais extremas de aumento de CO2 atmosférico. Taxas que são provavelmente pelo menos de uma ordem de magnitude mais rápida do que durante a última extinção de efeito estufa – o MTPE [Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno] – há 55 milhões de anos. Há apenas alguns anos atrás, os organismos científicos do mundo manifestaram a sua grande preocupação quanto aos níveis de CO2 atmosféricos igualarem os níveis observados durante o período do Plioceno – uma época geológica 3 a 5 milhões de anos atrás, quando as temperaturas da Terra eram 2 a 3 C mais quentes do que são hoje e os níveis de CO2 atmosféricos variavam entre 390 e 405 partes por milhão. Mas apenas num breve intervalo, rebentámos além desse potencial contexto paleoclimático e entrámos num outro mundo, mais difícil e muito mais quente. Um período no há muito tempo atrás, quando a civilização humana tal como é hoje não poderia ter sido imaginada e uma espécie chamada Homo Sapiens tinha ainda milhões de anos para chegar sequer a começar a existir.

Niveis de CO2 atmosféricos em Abril 2016

(Para a semana que terminou a 10 de Abril, parece que os níveis de CO2 atmosféricos já estão em média acima de 407 partes por milhão. Ao longo dos próximos dois meses, os níveis atmosféricos globais atingirão novos recordes máximos provavelmente ​​na faixa de 407 a 409 partes por milhão nos valores mensais, representando um salto extremo nas leituras deste gás de estufa chave. Fonte da imagem: NOAA ESRL).

Passaram cerca de 15 milhões anos desde que vimos valores atmosféricos deste gás de efeito estufa crítico atingirem valores tão elevados. Naquela época, a Terra era cerca de 3 a 5 graus Celsius mais quente do que no século 19 e os oceanos estavam cerca de 120 a 190 pés mais elevados. Manter os níveis de gases de efeito estufa atuais nesta faixa por um período prolongado levará ao risco de reversão para estados climáticos semelhantes aos do passado Mioceno Médio – ou potencialmente mais quentes se as reservas globais de carbono mantidas em baixo durante o período dos últimos 15 milhões de anos de arrefecimento forem novamente libertadas no oceano e atmosfera da Terra.

Nas taxas anuais de aumento de CO2 atmosférico atuais, vai demorar entre 20 e 50 anos a exceder o intervalo do Mioceno e Oglioceno de 405 a 520 partes por milhão de CO2. Nesse ponto, estaríamos a atingir níveis de CO2 elevados o suficiente para acabar com a maioria ou a totalidade do gelo glacial na Terra. Isso é basicamente o que acontece se continuarmos a queimar combustíveis fósseis como estamos a fazer agora por mais algumas décadas.

De qualquer modo, é importante notar que o potencial aumento anual de CO2 atmosférico para 2016 entre 3,1 e 5,1 partes por milhão é extraordinariamente mau. Algo que não deveríamos estar a fazer ao sistema climático da Terra. Não há mesmo outra maneira de o dizer. Tais taxas de aumento de gases de estufa são absolutamente terríveis.

Traduzido do original Hothouse Gas Spikes to Extreme 409.3 Parts Per Million on April 10 — Record Rate of Atmospheric CO2 Increase Likely for 2016, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 11 de Abril de 2016.

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