CO2 Aumenta a uma Taxa Recorde e Atinge 408 ppm em 2016

Para 2016 parece que as concentrações mensais de dióxido de carbono (CO2) atmosférico vão atingir um novo pico próximo de 408 partes por milhão no Observatório Mauna Loa em Abril ou Maio. Não só é esta a maior concentração deste gás peça chave no efeito de estufa já registada em Mauna Loa, como também é a marca daquilo que provavelmente irá ser a taxa mais rápida de aumento anual de CO2 já vista.

Taxa de crescimento do Co2 atmosférico e níveis de dióxido de carbono de 408 ppm em Maio

(O CO2 atmosférico continua a ser empurrado para níveis recorde por uma emissão maciça de combustíveis fósseis em curso. os níveis globais de gases de efeito estufa são agora elevados o suficiente para começarem a resultar em várias alterações catastróficas, como o rápido aumento do nível do mar, a desestabilização glacial, o aumento de situações de secas, inundações e incêndios florestais, e o declínio da saúde do oceano. Fonte da imagem: The Keeling Curve).

Em 2014, um século e meio de queima global de combustíveis fósseis havia despejado uma quantidade chocante de carbono nos ares do mundo – forçando os níveis atmosféricos de CO2 a subirem de cerca de 275 partes por milhão em meados do século 19 para um pico de cerca de 401,5 partes por milhão durante esse ano. Em Maio de 2015, os níveis de CO2 atmosféricos atingiram um pico de cerca de 403,8 partes por milhão. E em Abril de 2016, as concentrações médias mensais desse gás de efeito estufa tinham subido para perto de 407,6 partes por milhão. Como as leituras de CO2 atmosférico picam tipicamente em Maio, podemos esperar uma média mensal de topo final para este ano a variar entre 407,6 e 408 ppm – ou 3,8 a 4,2 partes por milhão mais elevada do que durante o mesmo período em 2015. Um aumento global total de cerca de 133 partes por milhão desde o século 19. Um nível de carbono atmosférico que – se for mantido – é suficiente para aumentar as temperaturas globais em cerca de 3 graus Celsius nas próximas décadas e séculos.

Aomalia da temperatura em 2016 comparada a 1881-1910

(Os níveis de CO2 atmosféricos que agora se aproximam de 410 partes por milhão estão a empurrar as temperaturas globais para perigosamente perto do limite de 1,5 C, identificado por cientistas como a marca da primeira série de pontos de ruptura do clima perigosos para a civilização. Manter os níveis de CO2 perto de 410 partes por milhão arrisca um aquecimento a longo prazo de 3 C. Continuar com as emissões de carbono faz com que uma situação já má se torne dramaticamente pior. Fonte da imagem: Climate Central).

Estes são agora os mais altos níveis de CO2 atmosféricos observados nos últimos 23 milhões de anos. E uma taxa anual de aumento de CO2 aproximando-se de 4 partes por milhão é inédito para qualquer período de tempo em qualquer registo geológico – mesmo durante o evento de extinção por efeito de estufa do Permiano, o qual eliminou cerca de 90 por cento da vida nos oceanos e 75 por cento da vida na terra. Esta taxa muito rápida de aumento de CO2 atmosférico está a ser estimulada por uma emissão de carbono com base em combustíveis fósseis agora na faixa de 13 biliões de toneladas por ano (dos quais o CO2 é a grande maioria). Isso é uma taxa de adição de carbono mais de dez vezes mais rápida do que o pico de carbono que desencadeou a extinção em massa por efeito de estufa do Paleoceno-Eoceno, há cerca de 55 milhões de anos atrás. Uma taxa muito perigosa de acumulação de carbono que irá gerar mudanças geofísicas cada vez mais graves e prejudiciais ao longo dos próximos anos, décadas e séculos. Um evento que, se continuar, poderia muito bem ser chamado de a mãe de todos os picos de carbono.

Novo Recorde da Taxa de Aumento para Concentrações de Gases de Efeito Estufa enquanto as Emissões de CO2 Nivelam.

As taxas de aumento entre picos não captam a acumulação média anual total, mas é um indicador. E para 2016, parece que a medida anual irá saltar em pelo menos 3,5 partes por milhão. Aumentos recorde anteriores ocorreram no ano passado (em 2015) e em 1998, quando o dióxido de carbono atmosférico saltou em cerca de 3 partes por milhão. Durante a última década, o dióxido de carbono tem acumulado em cerca de 2,2 partes por milhão por ano. Então, seja qual for o contexto, 2016 aparenta ser um ano muito mau, no sentido de que vamos quase certamente ver um novo ritmo recorde de acumulação de gases de efeito estufa.

Desestabilização irreversível do glaciar Totten e aumento do nível do mar

O Glaciar Totten está a derreter rapidamente. Isso é um problema pois segura uma enorme quantidade de gelo. Se o glaciar derreter, se acordo com um novo estudo por uma equipa internacional de cientistas, poderia produzir um aumento no nível do mar de 11 pés (~ 3,5 metros)

(Um estudo recente na revista Nature Geoscience descobriu que a queima contínua de combustíveis fósseis e acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, como o dióxido de carbono, trás o risco de desestabilização irreversível do Glaciar Totten ,o que resultaria num crescimento rápido do nível do mar neste século. No total, o Glaciar Totten cobre uma área do tamanho do sudeste dos Estados Unidos, tem mais que uma milha de espessura e, se derretido, elevaria o nível do mar em 11 pés. Os pesquisadores descobriram que a boca do Glacier Totten – que retêm essa pilha gigantesca de gelo – está a derreter rapidamente agora. Fonte da imagem: Nature Geoscience e The Washington Post).

As causas deste salto incrível e perigoso de CO2 atmosférico estão inteiramente aos pés da indústria global de combustíveis fósseis, a qual continua a empurrar através dos seus vários aliados políticos e agências de mídia para a queima expandida e extensiva de carvão, petróleo e gás. Mas apesar das numerosas tentativas por parte dessa indústria destrutiva para conter o ritmo de adoção de energias renováveis e dificultar os esforços para aumentar a eficiência energética, tanto a eficiência como as energias renováveis têm avançado e as taxas de emissão de carbono estabilizaram durante 2014 e 2015.

O que a indústria tem conseguido, contudo, é um adiar contínuo de uma taxa mais rápida de adoção de energia renovável que tem resultado em emissões globais de carbono a manterem-se nos níveis altos recorde atuais. E um tal enorme despejo de carbono na atmosfera e nos oceanos teria inevitavelmente resultado em novas taxas recorde de aumento de CO2 atmosférico a serem atingidas eventualmente.

Emissões globais de CO2 pela Agência Internacional para a Energia

(As emissões globais de CO2 estabilizaram num nível recorde de 32 bilhões de toneladas por ano durante 2014 e 2015. As taxas crescentes de adoção de energias renováveis e as melhorias na eficiência energética ajudaram a dar forma a esta tendência. No entanto, 32 bilhões de toneladas de CO2 por ano [cerca de 8 bilhões de toneladas do total de 13 bilhões de toneladas de carbono que atingem o ar a cada ano, quando o peso molecular de átomos não-carbono, tais como o oxigénio, é removido] é provavelmente o mais rápido ritmo de acumulação de CO2 atmosférico em toda a história profunda da Terra. Uma estatística gritante que presta urgência para trazer rapidamente essa elevada taxa anual de emissões para baixo. Fonte da imagem: Agência Internacional de Energia – Dissociação das Emissões Globais e Crescimento Económico Confirmada).

Este ano, um forte El Nino reduziu a capacidade dos oceanos para a captação de um volume tão grande de arrotos de poluição provenientes das chaminés e tubos de escape do mundo. Um aquecimento variável das águas que coloca uma tampa sobre aquilo que já é um sequestrador de carbono decadente no oceano. Além disso, comparativamente pequenas mas significativas contribuições de carbono na forma de incêndios globais crescentes, aumento do degelo e queima da permafrost, e aumento de fugas de metano fornecem agora um feedback de amplificação visível para a emissão maciça e sem precedentes de gases de efeito estufa humana. Um feedback que está garantido vir a agravar-se rapidamente se a emissão de combustível fóssil humana, literalmente insana, não parar em breve.

Traduzido do original Key Hothouse Gas to Rise at Record Rate, Hit Near 408 Parts Per Million in 2016, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 18 de Maio de 2016.

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