Feebacks Climáticos Começam a Entrar Mais em Cena

Secas e ondas de calor estão a colocar a vegetação sob uma pressão devastadora ao mesmo tempo que causam incêndios que resultam em desmatamento e perda de turfa em escala massiva, contribuindo para o recente aumento rápido nos níveis de dióxido de carbono.

Comparação dos níveis de CO2 com emissões de CO2 revela impacto de feedbacks climáticos

Vai levar uma década antes que estas elevadas emissões de dióxido de carbono recentes terão o seu impacto completo sobre o aquecimento. Além disso, enquanto o mundo faz progressos com os cortes necessários nas emissões de gases de efeito de estufa, isso irá também remover os aerossóis que têm, até agora, mascarado a ira completa do aquecimento global. Por implicação, sem ocorrer geoengenharia durante a próxima década, as temperaturas continuarão a subir, resultando em mais aumentos na abundância e intensidade das secas e incêndios florestais.

As temperaturas no Ártico estão a aumentar mais rápido do que em qualquer outro lugar. A imagem abaixo mostra que as águas do Ártico estão agora muito mais quentes do que em 2015. A 22 de Junho de 2016, a superfície do mar perto de Svalbard estava tão quente quanto 13,8°C ou 56,9°F (círculo verde), ou seja, 11,6°C ou 20.9°F mais quente que a média de 1981-2011.

temperaturas elevadas no mar no oceano Ártico

Os incêndios florestais podem libertar quantidades enormes de dióxido de carbono (CO2), monóxido de carbono (CO), metano e fuligem. A imagem em baixo mostra que a 23 de Junho de 2016, incêndios a norte do Lago Baikal causaram emissões tão elevadas quanto 22,953 ppb de CO e 549 ppm de CO2 na localização marcada com o círculo verde.

Incêndios florestais perto do Lago Baikal libertam enormes quantidades de CO2

O vídeo em baixo creado por Jim Reeve mostra uma animação com os níveis de monóxido de carbono em Maio de 2016.

Como quantidades crescentes de fuligem dos incêndios florestais assentam na cobertura de gelo e neve, a diminuição do albedo no Ártico irá acelerar. Além disso, ondas de calor estão a causar um aquecimento rápido dos rios que terminam no Oceano Ártico, acelerando ainda mais o seu aquecimento. E então, há um grande perigo de libertação de metano do fundo do mar do Oceano Ártico. Enquanto isso, o aumento das temperaturas também irá resultar em mais vapor de água na atmosfera, amplificando ainda mais o aquecimento.

À medida que mais energia permanece na biosfera, pode-se esperar que as tempestades aumentem de intensidade. A subida das temperaturas irá resultar em mais vapor de água na atmosfera (7% mais vapor de água por cada 1°C de aquecimento), amentando ainda mais o aquecimento e resultando em eventos de precipitação mais intensos, i.e. chuvas, inundações e relâmpagos.

Nuḿero de eventos diários de chuvas intensas bate recorde em 2015

Nuḿero de eventos diários de chuvas intensas bate recorde em 2015. De Lehmann et al.

Recentemente, a Virgínia Ocidental foi atingida por umas cheias devastadoras, matando pelo menos 26 pessoas e causando a evacuação de milhares de pessoas e danos enormes. As inundações também podem causar decomposição rápida da vegetação, resultando em grandes libertações de metano, como ilustrado na imagem em baixo que mostra uma forte presença de metano (cor magenta) a 39,025 pés ou 11.9 km ,a 26 de Junho (painel da esquerda), bem como aos 44,690 pés ou 13.6 km a 27 de Junho (painel da direita).

Libertação de metano resultante das inundações na Virgínia Ocidental revelada pelos níveis elevados de metano registados

Além do mais, plumas por cima das tempestades podem trazer vapor de água para a estratosfera, contribuindo para a formação de nuvens cirrus que prendem muito calor que de outro modo seria irradiado para o espaço. O número de eventos de relâmpagos pode ser esperado que aumente em cerca de 12% por cada 1°C de aumento da temperatura do ar global média. Entre 3 e 8 milhas de altitude, durante os meses de Verão, a actividade de relâmpagos aumenta tanto quanto 90% e o ozono em mais de 30%.

Em conclusão, os feedbacks (mecanismos de realimentação ou retroalimentação) ameaçam causar um aquecimento descontrolado, o que poderia fazer as temperaturas subirem mais de 10°C ou 18°F numa década.Neste momento, o derretimento dos mantos de gelo está a mudar a forma como a Terra oscila em torno do seu eixo, diz a NASA. Como Paul Beckwith discute no seu vídeo em baixo, as alterações também estão a ocorrer nas Correntes de Jato.

O perigo é que as alterações na oscilação do planeta irão desencadear terramotos massivos que irão desestabilizar os hidratos de metano e resultar em enormes quantidades de metano a entrarem abruptamente na atmosfera, como ilustrado na imagem em baixo.

Terra tornou-se Monopolo, com temperaturas elevadas no Ártico e baixas na Antártida

Perdemos o Ártico? Parece que a Terra já não tem dois Polos, mas tornou-se, em vez, num Monopolo, com apenas um Polo na Antártida. A 29 de Junho de 2016, as águas no Ártico (superfície do mar) estava tão quente quanto 15.8°C (60.5°F), ou 13°C (23.4°F) mais quente que a média de 1981-2011. Entretanto, as temperaturas de superfície na Antártida naquele dia eram tão baixas quanto -66.6°C (-87.8°F).

A situação é terrível e apela a uma acção abrangente e eficaz, conforme descrito no Plano Climático.

Traduzido do original e atualizado a 6 de Julho de Climate Feebacks Start To Kick In More de Sam Carana, publicado no blogue Arctic News, a 25 de Junho de 2016.

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