Mudança Climática: Façam as Contas

O uso dos combustíveis fósseis custa-nos muito mais do que o seu abandono. Vidas perdidas, custos de saúde, destruição ambiental, e 5 vezes mais dinheiro.

Conteúdo traduzido do vídeo Climate Change DO THE MATH pela Scientia Productions em 2012.

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Mudança Climática FAZ AS CONTAS!

Se as imagens daqueles fogos intensos de verão não o convenceram, ou as secas recorde, ou o tamanho da sua conta de AC este verão, aqui estão alguns números duros sobre as alterações climáticas. Mais de 40.000 recordes de temperatura foram estabelecidos em 2012 nos EUA. Maio de 2012, foi o 327º mês consecutivo, em que a temperatura de todo o globo excedeu a média do séc. XX. Quais são as probabilidades de isto acontecer? 1 em 4? 1 em 40? 1 em 400? 1 em 4000? Adicione mais 95 zeros. 1 em um número consideravelmente maior do que o número de estrelas no universo.
O gelo marítimo do Ártico derreteu até um valor mínimo recorde em 2012. Os oceanos de hoje estão 33% mais acídos. O ácido carbónico, da queima de combustíveis fósseis, está a dissolver as conchas e ossos da vida nos mares. A atmosfera sobre os oceanos está a uns chocantes 5% mais húmida, preparando o terreno para tempestades devastadoras. O furacão Sandy tornou isso claro… com uma vingança. Tempestades em esteróides de gases de efeitos de estufa continuarão a ficar piores. O Sandy devastou 5 ilhas caribenhas, Nova Iorque, Nova Jersey, muito do Noroeste americano e várias províncias canadianas. Mais de 170 mortes e milhares de milhões em perdas. Agora, para se perceber o aquecimento global, só precisamos de perceber alguns números.
O Primeiro Número: 2º Celsius A conferência do clima de Copenhaga falhou espectacularmente. Os grandes emissores – China e Estados Unidos – fizeram poucas concessões. Entre o caos, o presidente Obama assumiu a liderança na elaboração de um acordo de Copenhaga salvador, que enganou muito poucos. Copenhaga é um local de crime esta noite, disse um representante zangado da Greenpeace. Com os homens e mulheres culpados a escaparem para o aeroporto. Mas o acordo continha sim um número importante: 2ºC. Copenhaga reconheceu oficialmente a perspetiva científica de que o aumento da temperatura global deveria ser inferior a 2ºC. E todos concordaram que eram necessários grandes cortes nas emissões globais. Até agora, já aumentámos a temperatura média do planeta quase 0,8ºC. Mas isso causou bem mais danos do que aqueles que os cientistas esperavam. Thomas Lovejoy: “Se estamos a assisitir ao que se está a passar hoje aos 0,8 ºC, dois graus é simplesmente demasiado.” Alice Bows: “2ºC representa o limiar entre alterações climáticas perigosas e extremamente perigosas.” James Hansen: “Dois graus de aquecimento é na verdade uma prescrição para um desastre de longo prazo.” Não mais do que 2 graus. Este é o ponto crucial. O Segundo Número: 565 Gigatoneladas O segundo número que temos de perceber é 565 gigatoneladas. Os cientistas estimam que podemos pôr mais cerca de 565 gigatoneladas de CO2 na atmosfera. e ainda termos uma esperança razoável de ficarmos abaixo de 2 graus de aquecimento. Contudo, as emissões de carbono continuam a crescer ao ritmo de cerca de 3% ao ano. A este ritmo, vamos estoirar o nosso plafond de 565 gigatoneladas, em apenas 16 anos.
O Terceiro Número: 2795 Gigatoneladas O terceiro número é 2795 gigatoneladas. A quantidade de carbono contida nas reservas comprovadas de carvão, petróleo e gás. Em suma, o combustível fóssil que estamos atualmente a planear queimar. Este número: 2795; é obviamente superior a 565. É 5 vezes superior. Nós temos 5 vezes mais petróleo, carvão e gás em reserva do que a quantidade que os cientistas do clima pensam que é seguro queimar. Teríamos de manter 80% dessas reservas intocadas no solo para evitar uma catástrofe climática. Agora, podemos ter uma folha de balanço de combustíveis fósseis saudável. Ou, podemos ter um planeta relativamente saudável. Mas agora que conhecemos os números, não podemos ter os dois. Então, podemos corrigir isto? Podemos. Como avançamos? Um Novo Número: 1%
Aqui está um novo número: 1%. A “Análise Global da Universidade de Cambridge – a Economia das Alterações Climáticas” disse que o custo de mitigar o aquecimento global é de 1% do PIB global. Criar a infraestrutura e a capacidade para reduzir as emissões e aumentar a eficiência custará cerca de 790$ mil milhões por ano. Isto é alcançável? Bem, vamos ver as despesas para o desenvolvimento de combustíveis fósseis. Planos para o oleoduto norte-americano: 11$. Expansão da Shell no Canadá e no Qatar: 25$. Desenvolvimentos no Ártico da Shell: 40$. Investimentos de grandes empresas russas: 54$. Novas refinarias de petróleo na Nigéria e em Alberta: 10$. Desenvolvimento da Chevron no Mar do Norte, Congo e Venezuela: 10$. Compra de reservas, investimentos e planos de exploração: 155$. Mas isto não é tudo. A Agência Internacional de Energia e as Nações Unidas dizem que os subsídios de combustíveis fósseis de 2008 foram entre 500$ e 700$ mil milhões. Em 2012, o Natural Resources Defense Fund disse que os subsídios globais para combustíveis fósseis foram de 775$ mil milhões. O relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática, publicado em setembro de 2012, diz que os custos das mudanças climáticas anuais são de 1,2$ biliões. 1200$ mil milhões, na sua maior parte em países menos desenvolvidos. A Agência Internacional de Energia estima que os países importadores de petróleo gastarão 2$ biliões, em petróleo, em 2012, e em 2013, e 2014, e 2015. Então, vamos fazer as contas. 4280$ mil milhões – o custo de se continuar a queimar petróleo; divididos por 790$ mil milhões – o custo de se converter o mundo para energia renovável; é igual a 5,5 vezes. Agora, o que quer isto dizer? Quer dizer que o custo global do petróleo é mais de 5 vezes o custo de o abandonar. E nem falámos dos custos do carvão. Nem falámos dos custos escondidos dos combustíveis fósseis. A Academia Nacional de Ciências dos EUA estimou que doenças devidas à poluição por combustíveis fósseis custam ao sistema de saúde dos EUA 120$ mil milhões por ano. Os EUA são apenas cerca de 4% da população global. Então quais são os custos de saúde a nível global? 500$ mil milhões? 750$ mil milhões? Mais. A Munich Re, uma resseguradora de topo, relaciona o rápido crescimento de catástrofes climáticas extremas norte-americanas com alterações climáticas provocadas pelo uso de combustíveis fósseis.
As catástrofes com base no clima na América do Norte aumentaram, de uma média de 50 por ano, no início da década de 1980, para mais de 200, depois de 2005. Não podemos suportar tão enorme perda de vidas e propriedade. Os custos das catástrofes estão a subir a cada ano, na América do Norte e por todo o mundo. Há um outro número no relatório do Fórum de Vulnerabilidade Climática. 400.000 As alterações climáticas contribuem para a morte de cerca de 400.000 pessoas todos os anos. 400.000 pessoas… todos os anos.
Então, agora já fizemos as contas. O que fazemos a seguir? O uso dos combustíveis fósseis custa-nos muito mais do que o seu abandono. Vidas perdidas… custos de saúde… destruição ambiental… e dinheiro. O nosso dinheiro. Mais de 5 vezes mais dinheiro. Nós podemos progredir. Nós podemos prevenir a catástrofe climática. Temos de deixar os combustíveis fósseis, a começar agora.Recolher Transcrição

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