Prática em Ciência Climática

Este vídeo mostra como se pode ver o globo em tempo real e analisar a interação da temperatura e da Corrente de Jato e do Golfo com o degelo e outros eventos extremos, entendendo a Ciência Climática a partir da perspetiva do cientista.

Isto e muito mais é nos oferecido voluntariamente por Paul Beckwith da Universidade de Ottawa no Canadá, com o intuito de nos trazer as novidades na Mudança Climática de uma maneira fácil de entender para a pessoa comum. Se ainda não viu, é melhor começar pela primeira parte; para seguir a prática desde o início, clique aqui.

Conteúdo traduzido do original Become a Climate Scientist in 15 Minutes (2/2).

O Cientista em Ciência Climática Paul Beckwith é professor a tempo parcial com o laboratório de paleoclimatologia e climatologia, Departamento de Geografia, Universidade de Ottawa. Paul ensina climatologia / meteorologia e faz pesquisa de doutorado em “Mudança Climática Abrupta no Passado e Presente”. Paul possui um Mestrado em física de laser e um Bacharel em física de engenharia e alcançou o ranking de mestre de xadrez numa vida anterior.

Transcrição:

Torna-te num Cientista Climático em 15 Minutos, Parte 2/2

Olá! O meu nome é Paul Beckwith, da Universidade de Ottawa, Laboratório para Paleoclimatologia. Esta é a segunda parte de… “Torna-te num Cientista Climático em 15 minutos”, então, tive que estender os 15 minutos para 30 minutos. O que estava a mostrar era… isto são as correntes do oceano, e a anomalia da temperatura de superfície do mar. E isto é a data, foi a 3 de Abril, há alguns dias atrás O que podem ver é a Corrente do Golfo a vir em força através do Atlântico Norte e podem ver que há água fria a descer desde o Ártico, isto é através do estreito de Nares a oeste da Gronelândia, também há água fria a descer pelo estreito de Fram, e esta água atravessa o oceano, e aliás temos duas águas a passar: a Corrente do Golfo muito quente, e a água muito fria do Ártico, e elas colidem aqui, e é por isso que obtemos muita estrutura aqui. Se olhar para esta região em particular, a anomalia é de -10.2°C mais frio do que o normal, apenas nessa região, enquanto que mesmo ao lado estão quase cerca de +8°C. Então isto é uma enorme diferença de temperatura. Podem ver esta estrutura aqui, como se houvesse uma batalha entre a água fria do degelo do Ártico, a colidir com a água quente. Podemos ir atrás no tempo e ver como este padrão se desenvolveu, e esta mancha fria está a tornar-se uma característica permanente nos últimos tempos, e é preocupante porque significa que as correntes do oceano no Atlântico inteiro estão a reajustar-se. Mostrei no vídeo anterior como elas estavam a mudar igualmente no Pacífico. Se clicar aqui posso ir para trás para os dados anteriores, então, isto é a 29 de Março e podemos segui-lo à medida que vamos para trás. São cerca de 5 dias de diferença em cada nova imagem; estamos a ir atrás no tempo e o que podemos ver é… como a batalha se está a desenrolar entre as águas frias e quentes. E então, a Corrente do Golfo aqui está muito poderosa… Elas quase que se cortam uma à outra num ângulo de 90 graus, nesta luta de puxões. Vamos um pouco mais para trás… Por favor pesquisem Earthnullschool, e abram esta ferramenta e, assim que saibam como usar a interface… Trouxemos este menu para cima ao clicar em Earth. Seja lá onde for que cliquem no mapa, mostra-vos a latitude e longitude, e mostra a velocidade da corrente do oceano, neste caso, e a direção, e a anomalia da temperatura, dependendo daquilo que se seleciona. Clicamos em Earth para trazer o menu novamente e vamos atrás no tempo um pouco mais aqui, e ver o que acontece. O que se pode ver é a variação à medida que voltamos atrás. Agora estamos no início do ano e vemos uma anomalia da temperatura muito muito quente na Corrente do Golfo, e durante toda a estação do Inverno temos tido esta água a sair do Ártico e a mancha fria aqui, e estão numa batalha as duas. Vamos dar uma olhada e ver… alguns vídeos atrás falei da destruição do recife de coral na Austrália. Temos a Austrália aqui. Agora, o recife de coral, a grande barreira do recife estende-se nesta distância enorme ao longo da linha costeira aqui. Então, vamos fazer zoom nesta região e ver o que se passa com a anomalia da temperatura de superfície do mar. Ok, vamos pô-lo grande, zoom in. Ok, talvez grande demais, vamos tentar isto. OK, então isto é o início do ano. Isto é a 14 de Janeiro, e agora vamos voltar ao presente, em aumentos de 5 dias, e… pode-se ver a anomalia da temperatura de superfície do oceano, o azul é mais frio que o normal, apenas ligeiramente mais frio que o normal, aqui ligeiramente mais quente do que o normal… Não acontece muita coisa aqui. Há alguma água quente aqui… 1.1°C… Se a água ficar demasiado quente ou demasiado fria, então os pólipos, o plâncton simbiótico, o zooplâncton que vive no coral numa relação simbiótica com os pólipos, eles desaparecem se a água estiver demasiado quente ou demasiado fria, e o coral fica branqueado pois eles contém a cor, eles dão ao coral as cores vivas e vibrantes que vemos, e então quando desaparecem, o coral torna-se branco e fica debilitado, e se o zooplâncton voltar, se a temperatura da água voltar a normal e eles voltarem em algumas semanas, então coral pode reavivar-se. Neste momento o coral está em risco de vida uma vez que várias regiões do recife de coral estão lixiviadas. Vamos ver porquê ele fica esbranquiçado. Vamos avançar no tempo aqui, e podemos ver a mudança na temperatura. Olhem para esta água aqui. A água tornou-se muito quente lá pelo final de Janeiro… Continuando… Podemos ver a água quente a atravessar. OK, há alguma água mais fria, alguma mais quente; vou simplesmente andar mais um pouco. Aqui vamos nós… Entre meados e final de Fevereiro tivemos todo este amarelo, com água a 2°C, 2,5°C acima do normal, a descer em vastas áreas do recife, e neste lado aqui, e isto começa realmente a stressar o coral. Vamos continuar a avançar… E então, a água mantém-se quente, desce um bocadinho mas mantém-se quente, e começa a aquecer outra vez, especialmente nas regiões mais a norte, e pode-se ver o que acontece. Isto está em tamanho grande agora, e vemos que a água manteve-se quente durante um período de tempo prolongado. Aqui está, isto são outra vez 2,5°C… isto são tipo um par de graus mais quente que o normal. Logo, o coral está próximo de um limiar a partir do qual vai ficar danificado. E ainda está muito quente, está quente em diferentes zonas, mas esperemos que arrefeça e dê ao coral uma chance de recuperar. Talvez esteja a acontecer, vai ser como atirar uma moeda ao ar. Está estimado que após 50% do coral estar esbranquiçado, ele vai morrer. E o recife de coral é um dos maiores… pontos ecológicos do planeta, de maior importância, é basicamente a floresta tropical do oceano, e estamos a vê-lo a morrer perante os nossos olhos por causa do aquecimento global abrupto. Então, que mais podemos ver… Temos alguma química. Isto é o CO e o CO2 à superfície. No Hemisfério Sul, vamos afastar-nos um bocadinho, e podemos ver como os níveis variam com a latitude. Aqui em baixo estamos com cerca de 400 partes por milhão, numa média global de 406ppm ou assim. Podemos ver áreas aqui que estão com um pouco menos. Vamos subir para outras latitudes. Isto é a subir sobre a Ásia; claro que há fontes de poluição aqui, das cidades mais importantes. Isto é óxido de carbono, que está muito mais alto, e também o dióxido de enxofre que está muito mais alto. E… Continuando cm o CO2… Vou voltar ao Dióxido de Enxofre. Se subirmos até ao Ártico podemos ver que os níveis lá não estão tão altos como sobre partes da Ásia. O SO2 é muito importante porque produzimos muito SO2 a partir de processos industriais, de centrais energéticas e assim. Podemos ver as áreas de industria pesada que produzem muito SO2, pontos quentes sobre os quais podemos fazer zoom e assim. A coisa com o Dióxido de Enxofre é que… quando está na atmosfera, pode refletir a luz solar e causar arrefecimento naquela zona, logo, esta é uma das coisas que, basicamente, causam escurecimento global, e se removêssemos todo o SO2, desligando a indústria de um dia para o outro removíamos o SO2, aqueceríamos… é discutível o quanto aqueceríamos; talvez meio grau, talvez um grau, só por esse meio. Então, estamos a fechar centrais energéticas que são à base de carvão, e também precisamos de fazer o mesmo para o petróleo, precisamos de ir em direção a fontes renováveis, mas vamos obter algum aquecimento por estarmos a remover o cobertor de SO2, estamos a limpar o ar e vai haver aquecimento resultante disso, e não o podemos evitar, mas não temos escolha. Temos que fazer isto. Há também informação sobre particulados aqui. Podemos ver o que está a acontecer. Isto é a Extinção de Pó, são unidades de… quando há muito pó no ar, isso vai bloquear a luz e o aumento na quantidade de bloqueio está representado nestas cores.Recolher Transcrição

Facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *