Reservatórios de Carbono em Crise – Amazónia Emite CO2

Reservatórios de Carbono em Crise — Parece que a Maior Floresta Tropical do Mundo está a Começar a Sangrar Gases de Efeito Estufa

Já em 2005, e novamente em 2010, a vasta floresta amazónica, que tem sido adequadamente descrita como os pulmões do mundo, perdeu brevemente a sua capacidade de absorver dióxido de carbono atmosférico. As suas árvores stressadas pela seca não estavam a crescer e respirar o suficiente para, no saldo final, remover carbono do ar. Incêndios rugiram através da floresta, transformando árvores em gravetos e libertando o carbono armazenado na sua madeira de volta para o ar.

Estes episódios foram as primeiras vezes que a Amazónia foi documentada como tendo perdido a sua capacidade de absorver carbono atmosférico numa base líquida. A floresta tropical tinha-se tornado no que é chamado de neutra em carbono. Por outras palavras, lançou tanto carbono quanto absorveu. Os cientistas viram isso como uma espécie de coisa séria.

Este Verão, um desligar semelhante parece estar a acontecer de novo na Amazónia. Uma seca severa está novamente a stressar as árvores enquanto ventila os incêndios numa maior intensidade do que em 2005 e 2010. Medidas de satélite anteriores parecem indicar que algo ainda pior pode estar a acontecer – a floresta tropical e as terras que habita estão agora a ser tão duramente atingidas por uma combinação de seca e fogo que a floresta está a começar a sangrar carbono de volta. Este repositório gigantesco e antigo de carbono atmosférico parece ter, pelo menos ao longo dos últimos dois meses, se transformado numa fonte de carbono.

Reservatório de CO2 da Amazónia emite dióxido de carbono (CO2) em vez de absorver

(Níveis elevados de dióxido de carbono, na faixa de 410 a 412 partes por milhão, e de metano na atmosfera sobre a floresta tropical da amazónia durante Julho e Agosto de 2016 é um indicador preliminar de que a grande floresta pode estar, durante esse período, a comportar-se como uma fonte de carbono. Fonte da imagem: Observatório Copernicus).

Reservatórios de Carbono Não Conseguem Acompanhar

Embora a história da mudança climática forçada pelos humanos comece com a queima de combustíveis fósseis, a qual expele o dióxido de carbono que retêm o calor na atmosfera, infelizmente, não termina aí. À medida que essa queima provoca o aquecimento da Terra, coloca pressão sobre os lugares que, em circunstâncias normais, removem o carbono da atmosfera. Os oceanos, florestas boreais, e as grandes florestas equatoriais, absorventes de carbono, todos sentem a picada daquele calor. Este aquecimento faz com que os oceanos sejam menos capazes de segurar o carbono nas suas águas próximas da superfície e desencadeia secas e incêndios que podem reduzir a capacidade de uma floresta de absorver esse carbono.

No contexto do ciclo global de entrada e remoção de carbono da atmosfera da Terra, os oceanos e as florestas grandes e saudáveis ​​servem para absorver os gases de efeito estufa. Chamamos-lhes reservatórios de carbono, e ao longo dos últimos 10.000 anos da nossa época atual, o Holoceno, eles ajudaram a manter esses gases e, por extensão, as temperaturas da Terra, relativamente estáveis.

Porque é que os reservatórios de carbono são importantes

(Sem a capacidade das florestas, solos e oceanos de absorverem carbono — de atuarem como reservatórios de carbono — o CO2 atmosférico global já teria subido bem acima das 500 partes por milhão em 2009 devido à queima de combustíveis fósseis. Estes dissipadores de carbono são um fator útil atenuante do insulto das emissões de carbono humanas, mas se ficarem muito stressados, podem, em vez disso, tornar-se em fontes de carbono. Fonte da imagem: IPCC / CEF).

Contudo, já há muito tempo agora que as emissões de combustíveis fósseis pelos humanos superaram em muito a capacidade dos reservatórios de carbono do mundo de removerem o excesso de carbono e manterem os níveis de gases de efeito estufa estáveis. Apesar de estes reservatórios terem captado mais da metade do grande volume de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, a porção total de CO2 que retêm o calor aumentou de 280 ppm para mais de 400 ppm. Os oceanos acidificaram à medida que aguentavam a nova sobrecarga de carbono. E as florestas absorveram este carbono mesmo enquanto lutavam contra a expansão da desflorestação. Como resultado de todo o excesso de carbono atualmente na atmosfera, a Terra aqueceu mais de 1 grau Celsius acima dos níveis de 1880. E combinado com o já forte stress imposto pela agricultura de corte raso e de queimada, o calor adicional é uma grande pressão sobre um recurso global essencial.

O Aquecimento Global Leva ao Desligar dos Dissipadores de Carbono, ou pior, Torna-os em Fontes

Neste contexto trágico de calor, seca, acidificação dos oceanos e desmatamento, parece que o período de graça que os dissipadores de carbono da Terra nos deram para nos organizarmos e agirmos em conjunto sobre o aquecimento global está a chegar ao fim. O aquecimento da Terra de forma tão significativa como temos feito está a causar que estes dissipadores comecem a quebrar — a serem capazes de remover menos carbono, como foi o caso com a floresta amazónica em 2005 e 2010. Nestes pontos no tempo, o reservatório era neutro em carbono. Já não nos forneciam o serviço útil de retirar o carbono da atmosfera e armazená-lo nas árvores ou no solo. Mas, mais preocupante, em 2016, parece que a Amazónia também pode estar a começar a contribuir com carbono de volta para a atmosfera.

Níveis elevados de metano na Amazónia

(Leituras de metano de superfície sobre a Amazónia elevadas em excesso com 2.000 partes por bilhão é uma assinatura de seca e incêndio. É também um sinal de que a floresta tropical durante este período estava a emitir mais carbono do que estava a receber. Fonte da imagem: O Observatório Copernicus).

Após cada um destes breves períodos de insucesso em baixar o carbono em 2005 e 2010, o reservatório de carbono da Amazónia ligou-se novamente e começou a funcionar por um tempo. Mas em 2015 e 2016, temperaturas globais recorde tinham novamente provocado uma seca terrível na região amazónica. De acordo com oficiais da NASA, a nova seca foi a pior desde pelo menos 2002 e estava a desencadear condições de incêndio piores do que em 2005 e 2010 – as últimas vezes em que o dissipador de carbono da Amazónia se desligou. Em Julho de 2016, o Guardian reportou:

Condições de seca severa no início da estação seca, criaram a base para o risco de incêndio extremo em 2016 por todo o sul da Amazónia”, disse Morton num comunicado. Os estados brasileiros do Amazonas, Mato Grosso e Pará estão declaradamente em maior risco.

Pela previsão de incêndios na Amazónia da NASA, o risco de incêndio florestal para Julho a Outubro excede agora o risco ede 2005 e 2010 – a última vez que a região experimentou uma grave seca e os incêndios assolaram grandes áreas da floresta tropical. Até agora, a Amazónia tem visto mais incêndios em Junho de 2016 do que em anos anteriores, o que os cientistas da NASA dizem foi outro indicador de uma temporada de incêndios potencialmente difícil.”

Incêndios florestais no brasil e Amazónia a 5 de Agosto de 2016

(Incêndios florestais extensos sobre sul da Amazónia e Brasil coincidem com picos atmosféricos aparentes de metano e CO2. Um indicador de que o reservatório de carbono da Amazónia está a experienciar um novo período de fracasso. Fonte da imagem: LANCE MODIS).

Ao mesmo tempo que a seca e os incêndios relacionados começavam a rasgar através da Amazónia, os monitores de carbono atmosférico como o Observatório Copérnico estavam a apanhar o sinal de um pico de carbono sob a Amazónia com níveis de metano superiores a 2.000 ppb (o que muitas vezes é uma assinatura de seca e incêndios florestais) e níveis de dióxido de carbono na ordem dos 410 a 412 ppm. Era um pico comparável àqueles das regiões industriais do mundo como o leste da China, os EUA e a Europa.

Em contexto, esses picos de carbono da Amazónia estão a ocorrer num tempo de aumentos recorde de CO2 atmosférico. Durante os primeiros sete meses de 2016, o aumento médio de CO2 em relação a 2015 foi de 3,52 ppm. A taxa global de aumento de CO2 de 2015 na ordem dos 3,1 ppm de um ano para o outro foi o aumento anual mais rápido já registado pela NOAA e o Observatório Mauna Loa. Até agora este ano, a taxa de ganho atmosférico deste gás chave do efeito de estufa continua a aumentar — isto no contexto de picos de carbono sobre uma região que devia estar a retirar CO2, não a emiti-lo.

Traduzido do original Carbon Sinks in Crisis — It Looks Like the World’s Largest Rainforest is Starting to Bleed Greenhouse Gasses, publicado por Robertscribbler em http://robertscribbler.com/ a 5 de Agosto de 2016.

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